De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

Há uma semana, saiu de linha a Fiat Weekend, última station wagon nacional; listão é homenagem do AutoPapo aos modelos históricos desse segmento

encerramento da produção da Fiat Weekend (ex-Palio), há uma semana, extinguiu o segmento de peruas no Brasil. O veículo era o último de seu gênero vendido no país por uma marca generalista: agora, quem quiser uma station wagon tem que recorrer ao mercado de usados ou desembolsar algumas centenas de milhares de reais por um produto premium. Para muitos consumidores, trata-se de uma notícia triste. Afinal, diferentes gerações cresceram nos bancos traseiros não só do modelo ítalo-mineiro, mas de similares como Volkswagen Parati, Ford Belina ou Chevrolet Caravan.

Se você está entre os entusiastas das peruas, provavelmente vai gostar deste listão: enumeramos os 10 veículos mais icônicos desse segmento no país. Na relação, entraram unicamente produtos nacionais. Como foi preciso escolher apenas uma dezena de modelos, é claro que outros tantos tiveram que ficar de fora. Porém, se você é fã de algum deles, preste sua homenagem lembrando-o nos comentários. E, fora de linha ou não, save the wagons!

De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

1. DKW Universal/Vemaguet

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A Vemaguet entrou para a lista por um motivo lógico: foi o primeiro automóvel fabricado no Brasil. Sim, o produto pioneiro da indústria nacional é uma perua! Lançada em 1956, nadou de braçada no segmento durante mais de uma década, superando em vendas, por larga margem, a Simca Jangada, que apesar de ser maior e mais cara, era a concorrente mais próxima.

Inicialmente, ela foi chamada de DKW Universal. O nome definitivo, Vemaguet, alusivo à Vemag, veio em 1961. Em 1966, a Volkswagen adquiriu as operações da marca concorrente no país, e um ano depois, encerrou a produção de todos os produtos, inclusive da icônica peruinha. Do início ao fim, a pioneira manteve-se fiel ao motor 1.0 de três cilindros e dois tempos.

2. Volkswagen Variant

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Foto Volkswagen | Divulgação
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Herdeira, de certo modo, dos compradores da Vemaguet, a Variant foi lançada em 1968. Talvez isso a tenha ajudado a dominar o mercado de peruas no Brasil. Em razão da arquitetura da Volkswagen com motor 1600 a ar posicionado na traseira, tinha curiosos dois porta-malas: um na dianteira, embaixo do capô, e outro na parte posterior, em cima do próprio propulsor.

A primeira geração durou quase uma década, até ser aposentada pela sucessora Variant II em 1977. Porém, o modelo mais novo não conseguiu repetir o sucesso do original e acabou perdendo a liderança da categoria para a Ford Belina. Por isso, teve um fim precoce e saiu de linha já em 1980. A Volkswagen só voltou a ter uma perua em 1982, quando concluiu o desenvolvimento da Parati.

3. Ford Belina

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Belina (Ford | Divulgação)
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A Ford tem uma longa história no Brasil, mas, espantosamente, só fabricou duas station wagons no país: a Belina e a Royale. A perua Maverick era feita de modo independente pela concessionária Souza Ramos, enquanto Escort SW, Mondeo SW e Taurus SW eram importadas. Se, por um lado, a marca deu poucas tacadas no segmento, por outro ela acabou sendo extremante certeira justamente com seu primeiro produto do gênero.

Lançada em 1970, a Belina foi rapidamente aceita pelo mercado e sempre vendeu bem. Derivada do Corcel, herdava dele o motor 1.3 e a tração dianteira (algo ainda incomum para a época).  Já com a cilindrada aumentada para 1.4, chegou à segunda geração em 1977. No ano seguinte, chegou  o propulsor 1.6. Saiu de linha somente em 1991, já com mecânica Volkswagen 1.8 e associada ao Del Rey, mas sem modificações estruturais.

4. Chevrolet Caravan

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A Caravan foi a primeira perua nacional da Chevrolet e também a de maior aceitação mercadológica. Chegou ao mercado em 1976, nada menos que oito anos depois do Opala, do qual é derivada. Os dois modelos conquistaram uma legião de fãs e são, hoje, disputados por colecionadores de carros antigos.

Durante quase uma década, a perua foi a única de grande porte vendida no país. Ela atravessou a década de 80 sofrendo sucessivas modernizações, mas sempre permaneceu essencialmente a mesma, inclusive na mecânica, capitaneada pelos motores 2.5 de quatro cilindros e 4.1 de seis. Em 1992, uma Caravan ambulância foi o último veículo da linha Opala fabricada no Brasil.

5. Volkswagen Parati

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vw-parati-2005 De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

Projetada a partir do Gol, a Parati faz parte de uma das gamas de veículos de maior sucesso da indústria nacional. As vendas começaram em 1982 e não tardaram a superar a concorrência. Inicialmente, o motor era o 1.5 do Passat, logo substituído por uma unidade 1.6. Posteriormente, seria oferecido também um 1.8.

A evolução da Parati seguiu com mudanças superficiais até 1996, quando foi apresentada a segunda geração. Maior e mais arredondada, novamente seguindo os passos do irmão Gol, a perua ganhou opção de motor 2.0. No ano seguinte, finalmente veio a carroceria de quatro portas e, em 1998, a fogosa versão GTI 16V. O modelo ainda passou por duas reestilizações que, apesar de não se configurarem como novos projetos, foram chamadas de G3 e G4 pela Volkswagen. A fabricação foi encerrada em 2012.

6. Volkswagen Santana Quantum

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Espécie de irmã maior da Parati, a Quantum estreou no Brasil em 1985, cerca de um ano depois do Santana, do qual derivava. Até hoje, foi a única perua nacional da Volkswagen fora do segmento de compactas.

No princípio, era equipada com motor 1.8, mas passou a ter opção de um 2.0 em 1988. Santana e Quantum foram extensamente reestilizados para a última década do século XX. A perua começou a ser comercializada em 1992 e, a partir de então, recebeu apenas pequenas intervenções. Após sobreviver por mais um decênio, ela foi descontinuada em 2002.

7. Chevrolet Omega Suprema

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Ao contrário das outras peruas da lista (inclusive da antecessora Caravan), a Suprema nunca teve vendas expressivas. Pelo contrário: a baixa aceitação fez com que ela tivesse carreira curta. Lançada em 1993, saiu de linha já em 1996, dois anos antes do sedã da gama, o Omega. Então, por que a menção? Pelo fato de ter sido a mais sofisticada e luxuosa station wagon na história da indústria automobilística nacional.

Apesar de ter sido fabricada por pouco tempo, a Suprema teve boa variedade de motores. Nos primeiros anos, havia um 2.0 de quatro cilindros e um 3.0 de seis cilindros, substituídos em 1994 por um 2.2 e um 4.1. Hoje, a produção reduzida dá às raras unidades da Suprema que ainda sobrevivem em bom estado o status de neo-colecionáveis.

8. Fiat Palio Weekend

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fiat-palio-advenutre De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

A Fiat já estava inserida na categoria de peruas compactas desde 1980, inicialmente com a Panorama e, mais tarde, com a Elba. Porém, foi só com a Palio Weekend que a marca italiana conseguiu assumir, pela primeira vez, a liderança do segmento, desbancando a Parati. O êxito se deve à variedade de motorizações (1.0, 1.3, 1.4, 1.5, 1.6 e 1.8) e de versões, com destaque para a Adventure, precursora dos automóveis com adereços off-road.

O sucesso foi tanto que a Weekend permaneceu em produção por 23 anos. Nesse período, passou por quatro reestilizações, mas nunca teve uma nova geração propriamente dita, projetada a partir do zero. No fim da carreira, bastante defasada e sem o nome Palio, já não enfrentava mais concorrentes diretas: era a única station wagon ainda vendida no país. A fabricação foi encerrada no último dia 27, mas ainda há algumas unidades zero-quilômetro nos estoques das concessionárias.

9. Toyota Corolla Fielder

toyota_corolla_fielder_2008 De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

Verdadeiro fenômeno de mercado, o Corolla lidera a categoria de sedãs médios há quase 20 anos. Por isso, não chega a surpreender que a última perua com vendas expressivas fora do segmento de compactas tenha sido derivada dele. Trata-se da Fielder, que foi fabricada no país entre 2004 e 2008, sempre com motor 1.8.

Durante a curta carreira em solo brasileiro, a Fielder fez bonito: vendeu muitíssimo mais que a Fiat Marea Weekend e a Peugeot 307 SW, suas únicas concorrentes diretas. Porém, já prevendo uma queda na demanda por peruas, na geração seguinte a Toyota preferiu nacionalizar apenas o sedã. Vale lembrar que a station wagon sobreviveu no exterior e ainda é comercializada em países da Ásia e da Europa.

10. Renault Mégane Grand Tour

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Eis aqui outro modelo nunca se destacou pelo número de emplacamentos. Porém, garantiu lugar na lista por ter sido a última perua média fabricada em solo brasileiro. Durante o lançamento, em 2006, a Renault afirmou que ainda havia espaço para modelos desse tipo no mercado. Infelizmente, estava enganada: nem a marca francesa nem qualquer outra multinacional jamais voltariam a anunciar a produção de uma station wagon no país.

Assim como o irmão Mégane, a Grand Tour podia ser adquirida com motores 1.6 ou 2.0. A partir de 2011, apenas a versão de entrada Dynamique, com o propulsor de menor cilindrada, passou a ser disponibilizada. Os preços eram competitivos com os das peruas compactas, mas o crescimento nas vendas não foi o esperado. Assim, em 2012, a Renault interrompeu definitivamente a produção de sua única station wagon nacional.

Fonte: https://autopapo.com.br/noticia/vemaguet-parati-10-peruas-iconicas-brasil/