Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Data é celebrada oficialmente desde 1975, mas sua origem remonta do início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos

mulher-em-protesto-07032019140319003?dimensions=660x360 Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Dia Internacional da Mulher é hoje uma data marcada por protestos que pedem igualdade de gênero

Getty Images

Muitas pessoas consideram o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativas, ela não foi criada pelo comércio — e tem raízes históricas mais profundas e sérias.

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo – aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

veja também

Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos — as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época.

A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (naa maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.

As origens dos Dia Internacional da Mulher

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.

marcha-das-mulheres-na-russia-em-1917-07032019140319160?dimensions=660x360 Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher

Getty Images

Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho – na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher” americano.

Enquanto isso, também crescia na Europa o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.

“Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres”, explicou à BBC News Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

“A situação da mulher era muito diferente e pior que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época”, disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres.

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se tem hoje, era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

protestos-das-sufragistas-pelo-direito-de-votar-nos-estados-unidos-em-1913-07032019140319304?dimensions=660x360 Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Em 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos; nessa época, eram frequentes os protestos também por melhores condições de trabalho

Getty Images

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo – 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heróica e trabalhadora”.

Data foi oficializada em 1975

O chamado Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

“Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou Eva Blay.

“Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental.”

marcha-das-mulheres-para-celebrar-o-dia-da-mulher-em-londres-07032019140319564?dimensions=660x360 Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Cartaz em Londres dizendo ‘O futuro é feminino’: mulheres de todo o mundo fazem marchas e protestos por direitos iguais na semana do 8 de Março

EPA

No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto “comercial” em muitos lugares.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.

Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é recomendado pelo governo — mas nem todas as empresas seguem essa prática.

Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

No Brasil, a data também é marcada por protestos nas principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher.

“Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial”, observou Blay.

Segundo ela, mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março, a evolução ainda foi muito pequena.

“Acho que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes, se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, hoje não.”

Dia Internacional da Mulher

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Saltar para a navegaçãoSaltar para a pesquisa

Dia Internacional da Mulher
Poster alemão de 1914 em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, conclama o direito ao voto feminino.
Outro(s) nome(s)Dia da Mulher
Celebrado porÁfrica do SulAlbânia AngolaArgéliaArgentinaArméniaAzerbaijãoBangladeshBélgicaBielorrússiaButãoBósnia e HerzegovinaBrasilBulgáriaBurkina FasoCambojaCamarõesCabo VerdeChileChinaColômbiaCroáciaCubaChipreEquadorEslováquiaEslovéniaEspanhaEstóniaDinamarcaFinlândiaGeórgiaGréciaHolandaHungriaIlha de FormosaÍndiaItáliaIslândiaIsraelLaosLetóniaLituâniaCazaquistãoKosovoQuirguistãoMacedônia do NorteMaltaMéxicoMoldáviaMongóliaMontenegroNepalNoruegaPolóniaPortugalRoméniaRússiaSérviaSuéciaSíriaTadjiquistãoTurquiaTurquemenistãoUcrâniaUzbequistãoVietnameZâmbia
TipoInternacional
Data8 de Março
TradiçõesRelembra as lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

Dia Internacional da Mulher é celebrado anualmente, no dia 8 de março.

A ideia de uma celebração anual surgiu depois que o Partido Socialista da América organizou um Dia da Mulher, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York – uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino.[1] [2] Durante as Conferências de Mulheres da Internacional Socialista, em Copenhague1910, foi sugerido, por Clara Zetkin, que o Dia da Mulher passasse a ser celebrado todos os anos, sem que, no entanto, fosse definida uma data específica.[3] A partir de 1913, as mulheres russas passaram a celebrar a data com manifestações realizadas no último domingo de fevereiro. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no calendário gregoriano), ainda na Rússia Imperial, organizou-se uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país. Operários metalúrgicos acabaram se juntando à manifestação, que se estendeu por dias e acabou por precipitar a Revolução de 1917.[1] Nos anos seguintes, Dia da Mulher passou a ser comemorado naquela mesma data, pelo movimento socialista, na Rússia e em países do bloco soviético.

Em 1975, o dia 8 de março foi instituído como Dia Internacional da Mulher, pelas Nações Unidas. Atualmente, a data é comemorada em mais de 100 países – como um dia de protesto por direitos ou de edulcorada celebração do feminino, comparável ao Dia das Mães. Em outros países, a data é amplamente ignorada.[4]

Índice

História

Uma origem mundial para a data

A ideia de criar o Dia da Mulher surgiu entre o final do século XIX e o início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras,[5][6] sem contudo fixar uma data específica.[3]

As celebrações do Dia Internacional da Mulher ocorreram a partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, a depender do país.[1] A primeira celebração deu-se a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, usualmente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, no final de março. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos econômicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917.[7] A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

250px-Congresso_Socialdem_1910 Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Copenhague, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista: na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

Sobre a origem de comemoração do Dia Internacional da Mulher não há concordância absoluta diante das múltiplas manifestações de luta de mulheres por todo o mundo. A professora e filósofa socialista estado-unidense Angela Davis cita um evento ocorrido em 1908 em que “as mulheres socialistas do Lower East Side, em Nova York, organizaram uma manifestação de massa em apoio ao sufrágio igualitário, cujo aniversário [do Dia da Mulher seria] comemorado“.[8] Mas, o objetivo das manifestações ainda eram lutas dispersas por diversos direitos específicos, e no caso apontado, era o direito das mulheres ao voto nos Estados Unidos.

Após isto uma das primeiras celebrações do dia da mulher foi no dia 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória de uma greve, realizada no ano anterior, que mobilizou as operárias na indústria do vestuário de Nova York contra as más condições de trabalho.[9]

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhagen, Dinamarca, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a proposta, apresentada pela socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um Dia Internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.[9][10][11] No ano seguinte, uma comemoração do Dia Internacional da Mulher foi observada no dia 19 de março na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, onde mais de um milhão de homens e mulheres participaram de manifestações que exigiam os direitos de votar e ser votada, de trabalhar, de receber educação vocacional e, também, o fim da discriminação no trabalho.[9]

Controvérsias sobre as origens

Por muitos anos, associou-se o dia 8 de março à ocorrência de grandes incêndios em fábricas, no início do século, quando dezenas de operárias teriam perecido. O mais conhecido desses incidentes é o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que realmente ocorreu, em 25 de março de 1911, às 5 horas da tarde, e matou 146 trabalhadores: 125 mulheres e 21 homens. A fábrica empregava 600 pessoas, em sua maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos. Uma das consequências da tragédia foi o fortalecimento do Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras, conhecido pela sigla inglesa ILGWU. A acadêmica Eva Blay considera “muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres”, mas ressalta que “o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias desde algum tempo antes e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin.”[12]

Na mesma linha, a historiadora espanhola Ana Isabel Álvarez González explica, no livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres (publicado em 2010 no Brasil pela editora Expressão Popular), que a origem da data passa ao mesmo tempo pelos Estados Unidos e pela Rússia soviética. A autora, que buscou fontes primárias tanto na historiografia americana quanto na espanhola, confirma que o incêndio da Triangle realmente ocorreu em 1911, no dia 25 de março – e não no dia 8, lembrando que 8 de março de 1911 foi um domingo, data improvável para a deflagração de uma greve. Embora incêndios desse tipo não fossem incomuns à época, González ressalta que o incêndio foi muito significativo para o movimento operário norte-americano e para o movimento feminista. Mas, sozinho, o incidente não explica a origem do Dia Internacional da Mulher.[13]

Além do incêndio da fábrica Triangle, que efetivamente aconteceu, há uma outra história bem parecida, que parece ter sido uma simples invenção. Em 1955, Liliane Kandel e Françoise Picq escreveram, num artigo do jornal L’Humanité, sobre o mito de que a data teria como origem a celebração da luta e da greve de trabalhadoras no setor têxtil de Nova York, em 1857 — as quais teriam sido duramente reprimidas pela polícia ou mortas em um incêndio criminoso na fábrica, conforme as diferentes versões do mito. Não há indícios de que isso tenha ocorrido e, segundo as autoras, tais versões parecem ter sido criadas pela Union des Femmes Françaises, que pretendia converter a comemoração do Dia da Mulher em uma espécie de Dia das Mães, totalmente desprovida de qualquer sentido de luta feminina, tal qual se tornara na URSS e nos países do bloco soviético.[14][1][15]

Relação com a Revolução Russa

“A 23 de fevereiro estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução.”[15]Leon Trótski

Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada na Casa do Povo (Folket Hus), em Copenhagen, Dinamarca, Clara Zetkin propôs a criação de uma jornada anual de protestos em prol dos direitos das mulheres, mas sem fixar uma data específica. A primeira comemoração oficial deu-se em 19 de março de 1911. Em 1915, a ativista Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiânia, perto de Oslo, contra a guerra. Em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário gregoriano), houve uma greve de trabalhadoras russas do setor de tecelagem. Considerada por Trotski como espontânea e não organizada, a greve teria sido o primeiro momento da Revolução de 1917.[12]

Após 1945

220px-Bundesarchiv_Bild_183-09915-0001%2C_Berlin%2C_Unter_den_Linden%2C_Ruinen%2C_Bildtafeln Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Berlim OrientalUnter den Linden, (1951). Retratos de líderes da Internationalen Demokratischen Frauen-Föderation (IDFF), na 41ª edição do Dia Internacional da Mulher.

Após 1945, nos países do chamado bloco soviético, a data continuou a ser um feriado comemorado. Na antiga URSS, durante a era Stalin, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda do PCUS. Também era amplamente celebrado nos países do bloco, na Europa Ocidental.

Na Tchecoslováquia, por exemplo, a celebração era apoiada pelo Partido Comunista local. O MDŽ (Mezinárodní den žen, “Dia Internacional da Mulher” em checo) era também usado como instrumento de propaganda, visando convencer as mulheres de que o partido realmente levava em consideração as necessidades femininas ao formular políticas sociais. Gradativamente, a celebração ritualística do Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada. A cada dia 8 de março, as mulheres recebiam uma flor ou um pequeno presente do chefe. A data foi ganhando um caráter de paródia e acabou sendo ridicularizada até mesmo no cinema e na televisão, de modo que o propósito original da celebração se perdeu completamente. Após o colapso da União Soviética, o MDŽ foi rapidamente abandonado como mais um símbolo do antigo regime. Mas o dia permanece como feriado oficial, na RússiaBielorrússiaMacedônia do NorteMoldávia e Ucrânia.

No resto do Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960.

Resgate da data

220px-FEMEN_Calls_for_Sex-Boycott Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Protesto do grupo feminista FEMEN contra a exploração sexual das mulheres ucranianas, em 8 de março de 2010.

Já na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher, e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.[9]

Em 2008, a ONU lançou a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, destinada a estimular a igualdade de gênero na comunicação social mundial.[16] Na atualidade, porém, considera-se que a celebração do Dia Internacional da Mulher tenha tido o seu sentido original parcialmente diluído, adquirindo frequentemente um caráter festivo e comercial, como o hábito de empregadores distribuirem rosas vermelhas ou pequenos mimos entre as suas empregadas – ação que em nada evoca o espírito das manifestantes russas do 8 de março de 1917.[15]

Ver também

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d Kaplan, Temma (1985). «On the Socialist Origins of International Women’s Day» [Das Origens Socialistas do Dia Internacional da Mulher]Feminist Studies (em inglês). Vol. 11 (nº 1): 163–171. doi:10.2307/3180144. Consultado em 11 de março de 2017
  2.  International Women’s Day. International Women’s Day History. The University of Chicago.
  3. ↑ Ir para:a b Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de MarçoBBC News Brasil, 7 de março de 2019.
  4.  Sindelar, Daisy. «Women’s Day Largely Forgotten in West, Where It Got Its Start»Radio Free Europe. Radio Free Europe. Consultado em 8 de março de 2011
  5.  Vásquez Díaz, René (29 de abril de 2007). «Copenhague, contracultura e repressão». Biblioteca Diplô. Consultado em 11 de março de 2017. Em 26 de agosto de 1910, uma conferência internacional de mulheres socialistas tilintou no local, na ocasião em que Clara Zetkin lançou a idria de criar um Dia Internacional da Mulher.
  6.  Kollontai, Alexandra (1920). «A Militant Celebration» [Uma Celebração Militante] (em inglês). Moscou: Marxists Internet Archive. Consultado em 11 de março de 2017. In 1910, at the Second International Conference of Working Women, Clara Zetkin brought forward the question of organizing an International Working Women’s Day.
  7.  «International Women’s Day timeline journey». International Women’s Day. Consultado em 11 de março de 2017. On the last Sunday of February, Russian women began a strike for “bread and peace” in response to the death of over 2 million Russian soldiers in World War 1. Opposed by political leaders, the women continued to strike until four days later the Czar was forced to abdicate and the provisional Government granted women the right to vote.
  8.  DAVIS, Angela. «Mulher, Raça e Classe». S.Paulo: Boitempo, 2016 [1981]
  9. ↑ Ir para:a b c d «History of International Women’s Day – History of the Day» (em inglês). United Nations. Consultado em 9 de março de 2017
  10.  Blay 2001: “Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem (Dinamarca), em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa.”
  11.  Schulte, Elizabeth (8 de março de 2011). «A woman’s place is in the revolution» [O lugar da mulher é na revolução] (em inglês). Socialist Worker. Consultado em 11 de março de 2017. Inspired by these brave struggles in the U.S., Clara Zetkin called on attendees at the International Conference of Working Women in 1910 to support an International Women’s Day celebration and a platform for socialists that put forward both political and economic demands for women workers.
  12. ↑ Ir para:a b Blay 2001.
  13.  OLIVEIRA, Tory. “As histórias (e os mitos) sobre o Dia Internacional da Mulher”. 8 de Março de 2018.
  14.  Ferrarini, Hélène (6 de março de 2014). «8 mars: Quand la journée des femmes était une fête des mères communiste et antiféministe» [8 de março: Quando o dia das mulheres se tornou um dia das mães comunista e anti-feminista]Slate (em francês). Consultado em 11 de março de 2017. Françoise Picq conclut finalement à une tension interne au mouvement communiste, entre la CGT et l’UFF, l’Union des Femmes Françaises. Il semblerait que «Madeleine Colin voulait réancrer le 8 mars dans l’histoire des luttes ouvrières. Alors que l’UFF en avait fait une espèce de fête des mères, comme en URSS». A l’Est, la journée n’est plus vraiment ce que l’on pourrait appeler une journée de lutte.
  15. ↑ Ir para:a b c Kubík Mano, Maria. «Conquistas na luta e no luto»História Viva. Consultado em 9 de março de 2017. Arquivado do original em 4 de março de 2016
  16.  Koichïro Matsuura (2002). «As Mulheres e o Quarto Poder». De Mãos Dadas com a Mulher: A UNESCO como agente promotor da igualdade entre gêneros (PDF) (Relatório). Brasília: UNESCO. p. 18. 57 páginas. Consultado em 9 de março de 2017. Recentemente, o Diretor Geral da UNESCO, Sr. Koichiro Matsuura, lançou um apelo internacional intitulado ‘As Mulheres Fazem a Notícia’, através do qual demonstra o desejo da UNESCO de que, no Dia Internacional da Mulher, as jornalistas assumam os cargos de chefia nos jornais, revistas e emissoras de rádio e de televisão.

Bibliografia

Fonte: https://noticias.r7.com/internacional/dia-internacional-da-mulher-a-origem-operaria-do-8-de-marco-07032019
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher